Oldair Vieira

“O Clube do Som é mais que uma reunião de amigos e músicos, é uma oportunidade genuína de se fazer ouvir a voz das artes de uma cidade que nasceu as margens da sociedade e que agora ainda mais, reúne as qualidades necessárias para ocupar o lugar de destaque que realmente merece. Do seu caldeirão cultural vertem as mais diversas tendências artísticas chegando a produzir tanto em quantidade como em qualidade mais que qualquer outra cidade do DF e o Clube do Som pretende agir como catalisador deste processo.”

OIdair Vieira - composições, voz, teclado, guitarra e violão.

Nascido Oldair Vieira Gonçalves (Dei) na Ceilândia nos idos de 72 , último de nove irmãos da família Vieira, aos 10 anos, começou a esboçar seus primeiros acordes em um violão e passou a integrar a ordem de artistas que estariam no epicentro deste que viria a ser o mais importante esforço para a divulgação da arte e cultura da cidade. Tendo passado a infância ouvindo música de rádio AM, pouca coisa ficaria enraizada na memória musical como os Beatles e Simon and Garfunkel por exemplo, e foi apenas na adolescência que esteve em contato com a música que realmente delinearia seu perfil musical, naquele instante muito influenciado pelo irmão Iuri (com quem formaria mais tarde o grupo Esfera) que trazia de fora o som das bandas dos anos ’70 (Pink Floyd, Jethro Tull, Genesis, Yes e outros).

Foi ainda nos anos ’80 quando descobriu sua verdadeira paixão através agora, das rádios FM que estavam em alta. Como em um link feito com os seus ascendentes das terras das gerais, descobriu nas ondas que vem pelas antenas a música de 14 Bis e Beto Guedes, representantes da música mineira, que considera ser a melhor parte da Música Popular Brasileira.

Seus primeiros projetos incluem brincadeiras com irmãos e amigos, (William e Samuel). Mas foi logo em 86 que montou com mais dois irmãos (Iuri e Neno) o conjunto Esfera, grupo de rock progressivo que embora tenha se apresentado pouquíssimas vezes, ficou conhecido em várias outras cidades do DF e é lembrado até hoje. O grupo acabou em 88 com a saída de Neno e posterior viagem de Iuri à trabalho, para outros estados. A partir daí passou a tocar com amigos como os irmãos Sérgio e Celso em conjuntos de rok’n’roll. Em 92 algo importante aconteceria. Foi quando conheceu um de seus maiores amigos e praticamente irmão (coincidência no sobrenome) Marcondes Vieira cuja parceria estaria assegurada em quase todos os projetos posteriores. E o primeiro deles seria Outras Vozes com Marcondes nos vocais e guitarra, Déi na guitarra, Marcio na bateria, Jean no vocal e o recém conhecido e inestimável amigo Adriano no contrabaixo. Fizeram várias apresentações mas, uma certamente ficou na lembrança. Com a participação especial de Tereza no vocal e Neno na percussão (que voltava ao convívio musical depois de uma temporada em outras praias) executaram com primor um extenso repertório de composições próprias que iam desde baladas progressivas a country rock e versões de “Sangue Latino” (a lá Santana ) e “Como Nossos Pais” com Tereza interpretando Elis, em um evento chamado Ferrock que começava a despontar. Com esse mesmo grupo teve em 92 seu primeiro contato com um verdadeiro estúdio de gravação. O Artimanha, que já naquela época gozava de algum prestígio e, onde conheceu Geraldo Ribeiro e Toninho Maia. Foi o estúdio onde gravaram sua primeira “demo”. Apesar de já ter feito diversas gravações caseiras foi aí que Oldair realmente se encantou pela possibilidade de ver registrada toda a expressão musical gerada a partir de estímulos criativos que começavam a amadurecer. Pouco tempo depois o conjunto viria a se desfazer pela saída de alguns membros, mas seu núcleo permaneceria coeso para projetos futuros.

De volta ao estúdio Artimanha, em 94, fez seu primeiro trabalho como produtor musical a convite de Sérgio Pereira que agora, como artista solo lançava seu primeiro disco. A partir daí passou a estar mais perto de outros artistas como Pedro Jorge, cantor, compositor e gaitista com quem integraria mais tarde o conjunto Almablue.
Mais ou menos nesta época começaram surgir mais bares MPB em Ceilândia e Taguatinga e a essa tendência vários artistas aderiram como forma de trabalho inclusive Marcondes, e a acompanhá-lo, Oldair. Neste período de aprendizagem da noite conheceu Toni Ribeiro, cantor, compositor, violonista e irredutível defensor da música brasileira que iniciava sua carreira de forma exemplar mantendo viva a tradição da música de qualidade nos bares, principalmente da Ceilândia. Foi ele também o criador do Espaço Cultural, fenômeno itinerante que reunia grande quantidade de artistas e expectadores com o intuito de divulgar trabalhos locais, geralmente em bares e principalmente no “P Norte”, até então centro mais importante de atividades.

Nesses dias vieram a juntar-se a esse grupo outros músicos vindos de outras regiões, entre eles João Roberto Veloso (Siri), contra baixo e Keylisson Marcelo (Capucci), bateria; através de Marcondes que agora conduzia o Caquexia Assintomática, grupo que também contavam com Adriano e Tereza.

Ali por perto, Neno que compunha canções desenfreadamente agora buscava reunir amigos que andavam um pouco afastados, para um novo projeto intitulado Almablue e para tal chamou Pedro Jorge e Celso ( Guitarrista de Blues por excelência). A essa empreitada viriam a se juntar Oldair, como tecladista pela primeira vez em um conjunto, Adriano (depois substituído por Romualdo) e as participações de Cristiano e Dilo D’araujo. Com essa formação se apresentaram em muitos locais e fizeram várias temporadas.

Mas sempre encantado com a música mineira, eis que lhe surge a idéia de, aos moldes do Clube da Esquina, encontrar um ponto de convergência entre amigos e músicos que permitisse criar e divulgar o que fosse produzido de conteúdo artístico e cultural, sobretudo musical, sem o vínculo necessário de uma“banda”, promovendo um rodízio de instrumentistas que atendesse as necessidades de acordo com a disponibilidade. E essa idéia toma forma no dia em que Toni perde a voz durante a sua apresentação no bar onde trabalhava e para ajudar o amigo que estava em apuros Neno, Marcondes, Déi e Siri, que coincidentemente estavam todos presentes, se revezam ao microfone e salvam a noite (e o couvert do Toni). Está lançada aí a pedra fundamental do Clube do Som.

Alguns meses depois começariam a acontecer os primeiros encontros com demonstração de composições e arranjos. Com a aproximação de outras pessoas outras idéias viriam a surgir. Nos idos de 98, em uma reunião de amigos na casa de William (Milhopã), velho conhecido dos tempos do Punk Rock, através de Rai (Broba), este tocava com Oldair algumas canções de Pink Floyd quando, em um estalo, sua esposa Iene disse: “porquê vocês não montam um repertório com músicas do Pink Floyd e se apresentam em bares? Acho que as pessoas vão gostar!” Com essa idéia na cabeça Oldair e William se reuniram com Neno e começaram a ensaiar mas devido a dificuldades técnicas com o instrumento William deixou o projeto e o lugar foi ocupado por Marcondes. Até o fim do ano estariam se apresentando timidamente no D’Roses Beer, mostrando um abrangente, extenso e elaborado repertório adaptado para versões acústicas que apesar das condições precárias do local conseguia tirar indagações dos ouvintes do tipo “de onde vem todos estes sons?” Nascia aí um mito, o Trio Fluido Acústico.

Quase paralelamente a isso o Clube do Som faz seu lançamento oficial em um show no Centro Cultural de Ceilândia apenas para convidados entre eles artistas e amigos como Edi Silva (ator e escritor), Cidinha (atriz), Yuri Pierre (ator), Magê (produtora cultural) entre muitos outros.

Então a convite de Toninho Maia substitui Geraldo Ribeiro como técnico de áudio no estúdio Artimanha, oportunidade esta que seria decisiva para seus planos, pegando de início a produção do disco Canção do Regresso, de Riva Santana cuja amizade duradoura produziria em curto tempo grandes frutos. Agora, ao alcance de uma estrutura de gravação profissional começa a esboçar em suas canções o que seria um futuro disco do clube.

O Fluido Acústico ganha notoriedade enquanto se apresentam simultaneamente este último e Almablue. Em abril começa seu namoro com Núbia Verônica (pedagoga e professora), fã onipresente nos shows do Fluido, que mais tarde canta em dueto com ele numa das faixas do disco. Casam-se em setembro de 99.

Em 2000 alguns desentendimentos relacionados a datas e disponibilidade fazem com que Oldair tenha que optar por um dos dois trabalhos e a escolha é o trio. Ainda neste ano começam as gravações para o disco do clube através de um acordo feito com Toninho Maia, proprietário do estúdio Artimanha, mas infelizmente o estúdio fecharia as portas até o final do ano deixando assim o trabalho incompleto. Começa aí um longo período de espera para a conclusão do disco.

Então, de posse de alguns equipamentos de gravação e um bocado de experiência, Oldair resolve continuar seus trabalhos em casa, mais tarde esta investida culminaria na criação de seu próprio estúdio de gravação.

Pouco tempo depois, Neno ao se deparar com o cartaz de uma banda cover dos Beatles vai ao show e quase imediatamente substitui o baterista que não tinha “lá muita intimidade com a obra”. E lá estavam Marcos (guitarra e voz), Fábio (guitarra) e Kennedy (baixo), a nova turma do "P" Sul. Ao contar a novidade para Oldair este resolve assistir ao ensaio e se apresentando como tecladista quase implora para entrar no conjunto. Sendo então aceito logo estariam tocando em bares, festas e viajando para outros estados seguindo carreira paralela ao Fluido Acústico.

Meses depois, em 2001 recebe em casa seu irmão Iuri que voltava de São Paulo após grande período afastado da família, desta vez com a saúde debilitada. Apesar da doença o período é de alegria pela volta do irmão e logo, junto com Neno voltam a trabalhar em antigos e novos projetos no que seria a volta da Esfera. Neste período compõem a ópera rock Amém Ceilândia, considerada por alguns como a obra máxima de Iuri, mas desta vez com o auxílio de outros músicos como Marcondes e Siri. Amém Ceilandia também vira teatro e ganha a direção de Cláudio Pinheiro (proeminente escritor e crítico musical) que havia dirigido anteriormente a obra The Wall em adaptação para teatro junto com o Fluido Acústico, com as atuações de Edi Silva, Cidinha, Iuri Pierre, Doris Day, Rodrigo e a participação especial de Iuri Vieira como Pink em uma das apresentações.

E é com Marcondes que resolve, neste mesmo período, tocar um projeto antigo chamado 2Timbres que interpreta canções populares em um contexto mais elaborado.

Mas o destino resolve interromper seus planos e seguindo o agravamento de sua doença Iuri vem a falecer em outubro deste ano deixando uma profunda tristeza em seu espírito e uma cicatriz que jamais desapareceria: a vontade de trabalhar juntos de novo.

Tendo ainda que mudar para uma casa menor Oldair resolve montar seu próprio estúdio. Situado a quadra 23 da Ceilândia está o Estúdio Zimmer-Cöllen, estrutura modesta mas capaz de atender a demanda de artistas da cidade que tem a necessidade de proximidade de localização e intimidade com o processo de criação musical aliada a competência profissional. Em 2002, de volta a produção musical, produz o segundo disco de Riva Santana, disco conceitual que descreve uma viagem pitoresca pelo rio São Francisco intitulado Descendo o São Francisco de rio abaixo, considerado por Oldair uma de suas melhores produções até então. E neste ano o Trio Fluido Acústico resolve encerrar suas atividades fechando um ciclo ininterrupto de quatro anos de apresentações nas mais importantes cidades do DF e lançamento de dois discos terminando sua carreira “por cima” sendo lembrado até hoje.

Algum tempo depois, Oldair retoma o 2Timbres desta vez com Neno no lugar de Marcondes e agora o foco está nas canções que contenham vocalizações como Simon & Garfunkel e em especial a música mineira de 14 Bis e Beto Guedes realizando uma vontade muito antiga.

Os anos seguintes seriam basicamente preenchidos por atividade profissional de gravações e produções de diversos artistas e no esforço de reunir em um único local profissionais de várias áreas com o objetivo de dar suporte ao mercado local de entretenimento.

Em 2006, com todas as ferramentas necessárias para tornar realizáveis os velhos planos reúne o Clube do Som e lança o primeiro disco e tal investida alavanca diversos processos de divulgação do trabalho incluindo a criação do site que como pretende Oldair deverá a partir de agora direcionar rumo a expansão todo o “processo de criação artística que verte deste caldeirão e se espalha atravessando fronteiras e barreiras culturais e sociais”.


Contato
(61) 8435-5207
e-mail: zimmer-collen@hotmail.com

Músicas de Oldair no 1º Disco do Clube do Som:
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